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Talento não chega

Sabemos que o talento e as qualidades técnicas e táticas de uma equipa são decisivas na hora de disputar um jogo, quanto maior for a qualidade individual e coletiva, maiores são as probabilidades de vitória.

O que por vezes esquecemos é que isto por si só, embora essencial, não é garantia de um resultado positivo. Não chega ser bom, é mesmo preciso ser extraordinário dentro e fora de campo. E porquê? Porque a performance é uma consequência de um estado emocional associado às capacidades e competências. E se, por um lado, temos as competências asseguradas, por outro, temos dificuldade em controlar por vezes o estado emocional.

O estado emocional, quando é de confiança, representa o ingrediente que faz a diferença entre um desempenho bom, e um desempenho extraordinário. A confiança surge, assim, neste contexto como o elemento potenciador de resultados, assim como a falta dela representa o elemento limitador da performance. Uma vez que a equipa e cada um dos seus jogadores vivem de resultados, talvez fosse importante garantir que sabemos trabalhar e ativar este estado emocional, sempre e em qualquer circunstância, a fim de garantir performances de excelência e, claro, vitórias!

Na minha experiência enquanto coach de alta performance, lidando com atletas de topo, tenho verificado, não só nos atletas como nas equipas em que atuam, que existe uma grande dificuldade em gerar confiança quando o momento por si só não a potencia. A confiança é frequentemente vista como necessária, mas algo que surge mais facilmente em momentos bons, quando as coisas correm bem, ou seja, sempre que há resultados que satisfazem. Colocar a confiança de um atleta ou equipa dependente dos resultados, significa que iremos enfrentar grandes desafios ao longo da época, e provavelmente entrar em ciclos negativos que em algumas equipas parecem não ter fim. São aqueles momentos em que ouvimos dizer: a equipa precisa de uma vitória para ganhar confiança e dar a volta a este ciclo de resultados negativos.

Em primeira instância, saber exatamente como ativar a confiança de cada jogador e de uma equipa, independentemente do que está a acontecer, é algo que interessa ao treinador, e liderar com este tipo de competências , deveria ser o objetivo. Para tal ser possível, é preciso aprender a fazê-lo. Achar que o futebol hoje em dia é “meia bola e força ” é o mesmo que achar que, lá porque sabemos conduzir, podemos pegar num Ferrari e conduzi-lo a 250km/h… É caso para dizer que, quando se trata de ter desempenhos de excelência, é preciso ter mãozinhas para a coisa. Não é para qualquer um, é para aqueles que têm a capacidade de entender isto e colocá-lo em prática.

Os jogadores precisam de ser liderados, motivados, envolvidos, acionados, desenvolvidos e potenciados, cabe a um treinador adquirir competências para o saber fazer de forma excecional, para assim conseguir surpreender quando isso é necessário.