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No mínimo, brilhante

Iniciámos a jornada rumo ao Euro’2020. Quando se pensa no Europeu, pensamos numa mística envolvente, é como se estivéssemos entregues às forças do universo, e, independentemente daquilo que acontece, sentimo-nos abençoados por uma sorte que nos assiste e lá vamos nós, andando e passando rumo à final.

Aconteceu em 2016 e poderá voltar a acontecer em 2020. Vamos fazendo o nosso trabalho, e tendo fé, que no final vai correr tudo bem.

Conhecendo a qualidade dos jogadores da nossa Seleção, dos que lá estão e daqueles que em qualquer momento podem lá estar, sabemos que é possível fazer muito mais. Temos capacidade para entrar em campo agressivos, focados, a rematar com maior eficácia, determinados a liderar o jogo, com um espírito de grupo que só nós temos e que tem vindo a ser desenvolvido de forma exemplar pelo treinador e pelo líder, que queiram ou não, dita a forma de estar e representa o exemplo a seguir na nossa Seleção. Quando temos uma referência no grupo, quando jogamos ao lado do melhor do Mundo, é normal limitarmos as nossas capacidades, é como se não nos sentíssemos tão importantes, tão capazes, tão decisivos. Existe uma ‘obrigação’ de servi-lo, e até aqui está tudo bem, o único problema é quando os jogadores tendem a desresponsabilizar-se perante a sua presença.

Isto não acontece apenas na Seleção, é muito frequente em equipas onde existem jogadores de elite, as ‘estrelas’. Por tudo isto, o contexto que criamos para desenvolver uma equipa é fundamental, bem como a forma como cada um dos jogadores se adapta e se insere nesse contexto. Não é suficiente ter jogadores fabulosos, é igualmente importante perceber de que forma esses jogadores têm ou não a capacidade de continuar a ser fabulosos, apesar do contexto em que estão inseridos.

A nossa ambição é grande, e a nossa missão é clara, mas só vamos chegar lá se os jogadores decidirem colocar em campo aquilo a que nos habituaram nos seus clubes, demonstrando que sabem qual o seu papel no grupo, a sua importância, e aquilo que é esperado deles. Talvez esta seja a maior decisão que cada um pode tomar. Já que foram os escolhidos para repetir o maior feito do futebol português, então não aceitem fazer algo que não seja verdadeiramente brilhante.

Susana Torres – Coach de Alta Performance