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Não és os teus resultados

Uma das principais mudanças de mentalidade que fazemos num trabalho de Alta Performance, resulta do facto de entendermos que nós não somos aquilo que fazemos. É muito importante um jogador ter a noção clara de que uma coisa é aquilo que ele é, as suas competências, as suas capacidades, o seu potencial de desenvolvimento, a sua identidade, e outra bem diferente é aquilo que ele está a conseguir fazer, os resultados que está a obter. Existem por isso duas dimensões muito diferentes de trabalho que, embora estejam interligadas, são exploradas e desenvolvidas de forma separada. O mesmo acontece com as equipas, e um exemplo de que uma equipa não é aquilo que por vezes apresenta como resultado, é o cenário no qual leva vários jogos sem ganhar, com fracos desempenhos, cenário este que resulta por exemplo uma mudança de treinador. Neste cenário, quando entra um novo treinador, normalmente logo no primeiro jogo após a mudança, assistimos a uma alteração drástica de comportamento, atitude e na grande maioria dos casos, assistimos também a uma vitória. Se pensarmos bem, ainda nada aconteceu, ou seja, toda a estratégia, as novas formas de trabalhar, o novo modelo de jogo, ainda nada está implementado, o que significa que na realidade o novo treinador ainda nada fez para que no primeiro jogo tenhamos uma nova forma de jogar, que seja reflexo de treinos diferentes e estratégias diferentes. O que na verdade aconteceu, foi que houve uma mudança de mentalidade e de crença, e isso foi suficiente para criar um novo comportamento.

Assim, verificamos que uma mesma equipa desempenhava a um determinado nível e após uma mudança de atitude e crença, passou a desempenhar num outro nível, obtendo assim outro resultado. Então, nós não somos aquilo que fazemos, pois aquilo que fazemos é só a forma como decidimos sobre o comportamento e a ação num determinado momento e de acordo com um determinado contexto. Por vezes, basta mudar algo no contexto e já estamos a fazer coisas diferentes e a ter por isso resultados diferentes. E porque é que isto é importante? Porque separar quem somos dos resultados que obtemos, permite-nos trabalhar a confiança e as nossas competências, mesmo nos momentos em que as coisas ainda não estão a acontecer, ou seja, enquanto os resultados não aparecem. O contrário, achar que somos aquilo que fazemos, deixa-nos dependentes dos resultados, o nosso estado emocional fica de tal forma afetado com aquilo que conseguimos gerar que, sempre que não temos um bom desempenho, desenvolvemos sentimento de culpa, colocamos em causa as nossas capacidades, duvidamos das nossas competências e deixamos de acreditar. Uma coisa é aquilo o que o jogador é, outra é aquilo que ele está a conseguir fazer, logo, todo o foco de trabalho com este jogador deve estar no processo que o leva a fazer as coisas, e não na classificação de quem ele é ou das suas competências.

 

assinatura susana torres