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Líderes extraordinários

Na excelência talvez hajam ainda maiores desafios do que na mediocridade. Que o digam os grandes treinadores e atletas que, depois de alcançarem grandes resultados, começam a sentir a necessidade de manter esse nível de performance para sempre.

Costumo referir muitas vezes que o difícil não é chegar ao topo, o difícil é mantermo-nos lá. Em Alta Performance, sabemos que trabalhamos para obter resultados acima da média, de forma consistente e a longo prazo. O sonho de qualquer atleta ou treinador é conseguir elevar os standards, alcançar resultados que mais ninguém tem, e manter isso ao longo do tempo.

Conseguir isto não é para todos, e o motivo é simples: nem todos estão dispostos a pagar o preço, a fazer o esforço adicional, a reinventar-se depois de ter alcançado grandes níveis de sucesso. Como em tudo na vida, manter o sucesso no caso de um treinador, também tem um processo, não é obra do acaso, requer uma estratégia devidamente estudada, bem como uma humildade muito grande de aceitar que a única forma de manter algo que já conquistámos, é voltar a fazer tudo outra vez, mas agora com um nível de criatividade ainda maior. Um bom exemplo disto que escrevo é Nuno Dias, o treinador que não se deixa levar pelos resultados alcançados e quer sempre mais.

O problema do sucesso e dos bons resultados, é que eles viram em determinada altura uma grande rotina, o nosso cérebro habitua-se e deixa de requerer esforço para os conseguir, cada vez menos esforço, e cada vez maior adaptação. Uma vez adaptados à situação, o cérebro tende a ser preguiçoso, cria atalhos, relaxa, e aquilo que à partida parece ser a situação ideal, ao fim de algum tempo torna-se o nosso maior inimigo interno.

Num contexto onde agora não é preciso trabalhar tanto, pensar tanto, planear tanto, preparar tanto, começamos a deixar cair as principais rotinas que nos levaram ao sucesso. É neste momento que precisamos de nos reinventar! É o momento de arregaçar as mangas e voltar a trabalhar como se não tivéssemos ganho absolutamente nada. Eis aquilo que deve fazer parte deste novo processo e que alguns treinadores sabem como fazer de forma exemplar:

Ambição

Ninguém alcança algo verdadeiramente incrível, se não tiver uma ambição desmedida, a ambição é o combustível capaz de levar uma equipa a alcançar o inimaginável. Muitas vezes requer a humildade de procurar novas soluções.

Destreza Mental

Quando estamos em situação de rotina, precisamos aumentar a destreza mental, o cérebro necessita ser desafiado de forma a criar novas ligações neurológicas, originando novas sinapses, expandindo a sua capacidade e a destreza para assim ser capaz de manter foco e concentração.

Capacidade de Decisão

Esta é uma das áreas menos desenvolvidas nos treinos. Quando dizemos a um atleta aquilo que é suposto ele fazer num exercício, não existe decisão envolvida, devemos encontrar formas de treinar esta capacidade.

Contextos Desafiantes

Se as coisas correm bem, então precisamos desafiar para um próximo nível, criando situações mais exigentes do que aquelas que os atletas vão encontrar dentro de campo.

Objetivos

Aqui está a chave para alcançar a excelência, já não se trata de ganhar, mas sim de saber por quanto vamos ganhar.

Entusiasmo

Um líder que não é capaz de criar entusiasmo na sua equipa, jamais fará um trabalho extraordinário.

Celebração

Celebra sempre como se não ganhasses há 7 jogos.

Quem tem veia de campeão, nunca se sente saciado, tem sempre fome de vencer!

Susana Torres – Coach de Alta Performance