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Jogos da Taça – Jornal Record

É sempre interessante analisar jogos da Taça, principalmente quando se trata de uma equipa grande contra outra de divisão inferior. Estes são os jogos que nos mostram como o aspeto mental faz toda a diferença.

Em teoria, o clube grande tem maior capacidade para ganhar, pois tem jogadores mais capacitados, mais experientes, mais bem pagos, que trabalham com melhores condições, mas nem sempre a vitória é clara, indiscutível e certa. Aliás, muitas vezes assistimos a jogos muito difíceis, onde os favoritos entram em grandes dificuldades físicas e mentais para conseguir lidar com o desafio. Porque será? O que leva a que na prática as coisas não aconteçam como matematicamente seriam de esperar? Talvez uma das grandes razões seja a abordagem que os intervenientes fazem deste tipo de jogos; muitas vezes, vence quem tem a maior motivação e que melhor se adapta ao contexto.

Existem pressupostos nestes jogos, como a responsabilidade de ganhar da equipa grande. Os jogadores que jogam nestas condições levam alguns quilos a mais para dentro de campo, provenientes do peso dessa responsabilidade, ainda que não se apercebam, pois perder com uma equipa de um escalão inferior significa experienciar sentimentos que não querem, tais como vergonha, culpa, deceção e julgamento. Aqueles que têm uma autoestima mais elevada correm o risco de não valorizar suficientemente o adversário e serem igualmente surpreendidos.

Já do lado da equipa da divisão inferior as coisas são bem diferentes. Também existem pressupostos, como o não terem nada a perder. Se forem acionados os gatilhos certos, como a paixão pelo que fazem, a visibilidade que este tipo de jogos pode trazer a cada um dos jogadores, a oportunidade de jogar contra adversários de topo, o orgulho em representar o emblema do clube, a magia de manter o clube na corrida à Taça, terão uma força capaz de revelar talentos escondidos e obter performances nunca antes vistas. No final das contas, tudo está na cabeça na cabeça e na forma como cada um aborda o desafio.

Susana Torres  –  Coach de Alta Performance