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Identidade

Dizemos muitas vezes que um jogador deve vestir a camisola, sentir o clube, respeitar o emblema que leva ao peito. Mas o que significa realmente sentir o clube? Significa que quando lá chegamos devemos encontrar uma cultura, uma história, um projeto, respirar progresso, observar um alinhamento de todos os que são parte integrante dele. Devemos ser ensinados a sentir o clube não pelo simples facto de vestir uma camisola, mas porque todas as pessoas nos mostram o que é o respeito, a paixão, e não ter qualquer interesse que não seja servir a instituição. Para que isto aconteça, não chega ter uma história, é preciso ter um presente que nos mostre que estamos a trabalhar na construção de um futuro, precisamos de estratégias que sejam do conhecimento de todos, de uma visão e de estabelecer prioridades, de um modelo que seja reflexo dessa visão e que funcione.

Se olharmos por exemplo para o Barcelona, vemos uma história, um presente e uma visão de futuro. Qualquer treinador que entre naquele clube vai jogar como joga o Barcelona, aquele modelo de jogo que existe desde sempre e que faz parte do seu ADN. Ali existe uma forma de ser, de estar, de jogar, uma identidade. Desde o porteiro ao jogador, todos são Barça – para eles, o melhor clube do Mundo, mesmo quando não têm os melhores resultados. No Barça, ouvimos vezes sem conta que quem manda no clube são os sócios, que por eles fazemos tudo, a eles devemos os resultados, o jogador é importante, mas o jogador vem e vai, o sócio é o dono do clube e esse não sai.

Camp Nou está entre a maternidade e o cemitério de Barcelona. No Barça dizem “entre nascer e morrer, a única coisa que faz sentido é o Barça”. Não podemos esperar que um jogador dê a vida por um emblema quando dentro do clube ninguém o faz, não podemos esperar que um jogador consiga deixar tudo dentro de campo quando o futuro não é claro, consistente e inspirador. Mais do que querer ganhar jogos, um clube precisa de criar uma forte identidade, que não tem apenas a ver com a história, mas também com o presente e com a visão do futuro. E para citar exemplos de clubes que estão a criar uma identidade em Portugal, temos o Alverca e o Famalicão. Por mais pequenos que possam parecer, estão no caminho certo e, como resultado disso, têm jogadores que dão a vida pelo clube. Não é um trabalho fácil, mas é o trabalho que vale a pena, pois assim se constroem campeões. E se isto leva muito tempo a construir, também é verdade que, para destruir, é um instante.