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A pressão dos grandes jogos

Clássicos e confrontos diretos têm um grande efeito psicológico nos jogadores, são jogos especiais e por isso a semana que antecede o jogo também acarreta uma energia diferente. O entusiasmo aumenta, os nervos também, não só nos jogadores como nos treinadores e, não menos importante, nos adeptos. A forma como encaramos estes jogos é bastante diferente, são os jogos que todos querem jogar. Mas se olharmos friamente para o jogo em si, não deixa de ser mais um jogo, com onze jogadores para cada lado, onde o objetivo principal é só um, ganhar! Os três pontos de um clássico, não valem mais do que quaisquer outros três pontos, no entanto, a emoção que um jogo destes provoca, é radicalmente diferente. Ao contrário daquilo que à primeira vista possa parecer, estes são os jogos mais fáceis de preparar, uma vez que, no que respeita à motivação, entrega e disponibilidade dos jogadores, pouco há a fazer, pois é garantido que tudo isto estará presente.

Se em campo temos, por um lado, jogadores altamente motivados, talentosos e extremamente disponíveis, e por outro estádios cheios e um ambiente incrível, então o que faz a diferença neste tipo de jogos? Acredito que aquilo que faz a diferença é a forma como os jogadores lidam com a pressão, com os acontecimentos durante o jogo, com as decisões do árbitro e o impacto que as mesmas têm no resultado, e com a reação ao erro. Isto significa que o lado emocional é aquele que tem maior peso e que mais impacta o resultado final. Num jogo destes, a equipa mais inteligente, a equipa que maior entrosamento demonstrar, a equipa que melhor lidar com as emoções, será aquela que estará mais perto de vencer.

Treinar as emoções, o foco, a concentração, preparar a reação ao erro, antever os desafios, gerar o compromisso e criar um sentido de equidade na equipa, onde os jogadores têm a consciência da importância de uma performance comum, como se estivessem a remar num barco que só avança se todos imprimirem o mesmo ritmo nas remadas, é o segredo para um resultado extraordinário. Nestas condições, um jogador tem o contexto ideal para colocar em campo todo o seu potencial, pelo que, aqueles que pretendem fazer a diferença e alcançar grandes resultados individuais, devem aproveitar o estado ótimo de desempenho da sua equipa para brilhar. Nestes jogos, a entrega, o compromisso e a inteligência emocional é aquilo que faz a diferença.

Susana Torres – Coach de Alta Performance