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Como pôr as nossas emoções em ordem?

“O que quer que plantemos na nossa mente subconsciente e alimentemos com repetição e emoção, um dia tornar-se-á uma realidade.” – Earl Nightingale

 

A qualidade dos nossos pensamentos gera em nós determinadas emoções, com as quais temos, muitas vezes, dificuldade em lidar.

 

Lembro-me de um exemplo muito concreto que aconteceu com o Eder num jogo da seleção em Leiria que, por sinal, lhe tinha corrido pessimamente.

Fomos almoçar a um restaurante em Ponte de Lima. Um senhor, que estava sentado numa mesa ao lado da nossa e não tirava os olhos do Eder que pensou de imediato que aquele homem devia estar mentalmente a chamar -lhe nomes, a dizer que ali estava o “pino”, o “cone”, o tal que não tinha qualidade para estar na seleção.

Automaticamente o Eder recordou o jogo e (re)criou imagens das assobiadelas monumentais. Naquele preciso momento foi buscar uma série de imagens relacionadas com a ideia de que ninguém gostava dele.

Porquê? Simplesmente porque um senhor estava a olhar para ele. Porque, algures na sua memória, tinha bem gravadas aquelas representações internas e aqueles significados e associações.
Claro que começou imediatamente a desanimar, dobrou-se mais sobre a mesa, começou a olhar para baixo, a respiração acelerou, o sorriso desapareceu, ficou com um ar mais reservado e pensativo. Numa palavra, ficou triste.

Percebi logo essa mudança, que me fez começar de imediato a trabalhar para o retirar daquele estado de espírito.

Momentos mais tarde, o senhor da mesa ao lado levantou-se, dirigiu -se a nós e perguntou: – “É o Eder não é? Ganhei coragem para vir aqui apenas para lhe desejar boa sorte. Boa sorte para o Europeu. Espero que o Eder seja convocado, marque e que ganhemos a taça!”

 

É impressionante como a forma como interpretamos o mundo à nossa volta se torna a nossa realidade. Nesse dia, o Eder tinha escolhido especular sobre os pensamentos daquele senhor. Tinha escolhido deixar que isso interferisse com o seu estado emocional, tinha escolhido viver uma realidade que se baseava apenas e só nos seus pensamentos!

 

O nosso estado emocional, por sua vez, condiciona o nosso comportamento. Quando estamos tristes ou deprimidos, quebramos a postura, carregamos o semblante e provavelmente evitamos o contacto com os outros – o nosso comportamento é assim condicionado pelo nosso estado emocional. O mesmo acontece quando nos sentimos felizes, alegres e com energia – a nossa postura altera -se, ficamos enérgicos, provavelmente sorrimos e mostramos aos outros essa emoção. O nosso comportamento é afetado pelos pensamentos que criámos. É a sequência anterior de pensamentos e emoções que vai promover o comportamento que temos e a forma como fazemos o que fazemos. Se estamos altamente apaixonados pelo que fazemos, é nisso que pomos toda a nossa energia, o nosso esforço e empenho – e acreditamos que vamos ter bons resultados. Ao contrário, quando nos sentimos desmotivados, embora saibamos o que temos de fazer, falta -nos a força de vontade, tudo parece difícil e complicado, não conseguimos ver soluções – e os resultados que obtemos não são de certeza aqueles que gostaríamos de alcançar.

 

Por isso é importante perceber de que forma estamos a interpretar o mundo, que significado estamos a dar às pessoas e situações, a nossa postura, para que desta forma, possamos colocar as nossas emoções na ordem.

Fazendo pequenas alterações, podemos gerar pensamentos diferentes e passar a ser mais positivos relativamente ao presente, a suavizar o significado dos acontecimentos do passado e a começar a acreditar no futuro.

 

As coisas são o que são, a forma como lidamos com elas é que vai fazer toda a diferença. Por isso haverá sempre quem ache que o copo está meio cheio, e quem ache que o copo está meio vazio. Nós somos os únicos responsáveis por criar a nossa realidade, e é nela que vamos viver.