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Como funciona aquela voz que está na tua cabeça?

“O discurso interno, os teus pensamentos, podem fazer-te ser rico ou pobre, amado ou não, feliz ou infeliz, atraente ou pouco atraente, poderoso ou fraco.” – Ralph Charell

 

O inconsciente é quem lidera o nosso comportamento.

Em situações de pressão ou competição, quase não existe tempo para pensar, tudo acontece a uma velocidade estonteante, a avaliação é constante e uma falha individual pode comprometer o nosso resultado.

Num jogador de futebol, por exemplo, o nível de atenção tem que ser máximo, pois tudo acontece e se decide em segundos. Reagir com um segundo de atraso é o suficiente para não chegar à bola, para não ganhar o lance ou para não marcar. O mesmo para qualquer um de nós quando lida com situações de pressão como por exemplo falar público, liderar uma equipa, fazer uma cirurgia (no caso de um médico) ou até um julgamento, num caso de um advogado.

 

Para garantirmos um nível máximo de atenção, é preciso compreendermos alguns aspectos como por exemplo o funcionamento do nosso cérebro, de que forma interagem o lado direito e o lado esquerdo e como se processa a comunicação interna, para assim o podermos influenciar.

Quando digo que o inconsciente comanda o nosso comportamento, quero dizer que é essa parte da mente que coordena o comportamento. É precisamente por isso que, por vezes, a técnica e a experiência ficam um pouco comprometidas – fazendo-nos acreditar que não estivemos no nosso melhor dia.

 

Quando trabalhamos ou treinamos aspetos mais técnicos do nosso trabalho, fazemo-lo de forma consciente – adquirimos mais conhecimento sobre determinada área, fazemos alguma formação, exploramos novas ferramentas, etc. No entanto, quando não há muito tempo para tomar decisões e a pressão é enorme, simplesmente agimos. Muitas vezes tudo sai como esperamos e sentimo-nos completamente focados; outras, porém, acontece precisamente o contrário.

Perceber a forma como a comunicação se processa internamente é por isso muito importante, pois se trabalhar a parte técnica ou física é necessário, treinar a parte mental é essencial.  E é aqui que muitas vezes reside o desafio. Não se trata de saber ou não saber fazer as coisas, trata-se da forma como nos predispomos a fazê-las.

 

E como se processa então a nossa comunicação interna?

Bom, primeiro temos o modo como interpretamos a realidade, ou como a experienciamos que nos é filtrado através dos nossos sentidos: visão, tato, olfato, paladar e audição. Através dos sentidos percebemos o mundo à nossa volta, criando as nossas próprias representações internas.

Depois de absorvidas as informações, elas entram no nosso cérebro e são filtradas também pelos nossos valores, pelas nossas crenças, pelas nossas opiniões, experiência de vida, cultura, entre outras coisas.

 

Concluído esse processo, geramos pensamentos como respostas à realidade, pensamentos esses que alojamos na mente, normalmente em forma de imagens. Ou seja, os pensamentos levam-nos a criar imagens daquilo que pensamos.

Estes filtros – que fazem parte daquilo que aprendemos e da forma como aprendemos – são os grandes responsáveis pelos nossos pensamentos, pela forma como olhamos para o mundo, para as pessoas e situações. Ou seja, a forma como representamos as situações internamente é um processo mesmo muito pessoal. Uma determinada situação pode ser distorcida, exagerada ou minimizada, conforme o significado que lhe queremos dar. Por outro lado, a própria fisiologia interfere com os nossos pensamentos.

 

A fisiologia tem a ver com a forma como nos movimentamos, a nossa linguagem gestual, a forma como respiramos, e a nossa expressão facial – o nosso corpo revela a forma como nos apresentamos ao mundo, aquilo que comunicamos sem dizer uma única palavra.

É fácil perceber que uma pessoa está deprimida ou extremamente confiante, olhando apenas para a sua postura, para a forma como se movimenta, ou até para a sua expressão facial. Estamos sempre a comunicar, é impossível não o fazer. E é curioso que, se alterarmos a nossa fisiologia conseguimos alterar o nosso estado. Se, por exemplo, nos sentimos tristes e adotarmos um sorriso durante algum tempo, a tendência é que este estado se quebre e vá alterando para um estado de menos tristeza ou até de felicidade.

 

Há tempos li num livro que as pessoas que usam botox não conseguem ficar deprimidas uma vez que, ao ser aplicada essa toxina, há uma mudança da musculatura facial que modela o processamento das emoções. Ou seja, como ocorre a paralisação de alguns músculos faciais as pessoas têm dificuldade de fazer expressões de tristeza ou irritação, e também de felicidade. Como o nosso cérebro associa a nossa fisiologia a determinado estado, nestes casos as pessoas que usam botox de forma regular, mantêm-se em num estado neutro. Curioso, não é?

 

Quer as representações internas, quer a fisiologia são aspetos que influenciam diretamente os nossos pensamentos, as imagens que criamos quando imaginamos ou recordamos determinada situação, e a forma como interpretamos tudo aquilo que acontece à nossa volta.

 

Agora que já sabes como funciona parte da tua comunicação interna vai ficar muito mais fácil perceber a origem de determinados pensamentos, permitindo-te escolher quais aqueles que queres manter e aqueles que queres descartar ou substituir. E algo me diz que já sabes exatamente quais são 😉